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Mitos e verdades sobre o 2,4-D

14/12/2017 - Agricultura

Aspectos técnicos

O que é o "2,4-D"?

2,4-D é a nomenclatura simplificada do ácido 2,4-diclorofenoxiacético, princípio ativo de um dos herbicidas mais comuns e antigos do mundo, utilizado para controlar plantas daninhas há pelo menos 60 anos e uma das moléculas com maior quantidade de estudos de todos os tempos.

Qual a formulação de 2,4-D que existe atualmente no mercado brasileiro?

Hoje a formulação amina é a única disponível no mercado.

Em quais culturas o 2,4-D pode ser utilizado?

O 2,4-D só pode ser utilizado em culturas para as quais foi registrado. No Brasil, as culturas são: soja (em pré-plantio), cana-de-açúcar, milho, café, trigo, aveia, centeio, arroz e pastagens formadas. No Brasil, é mais utilizado na cultura de soja, em plantio direto (dessecação de pré-plantio).

Quais "plantas daninhas" são controladas pelo 2,4-D?

O 2,4-D controla "plantas daninhas" de folhas largas como, por exemplo: corda-de- viola ou corriola, leiteira ou amendoim-bravo, guanxuma, poaia, serralha, erva-quente, além da trapoeraba e plantas daninhas de difícil controle, tal como a Buva entre outras.

O 2,4-D pode ser utilizado em gramados de residências?

Não. O 2,4-D não tem registro no Brasil para uso residencial, seu uso é exclusivo para áreas agrícolas.

Qual o intervalo que se deve obedecer entre a aplicação do 2,4-D e o plantio da cultura da soja?

De 7 a 10 dias.

Qual a importância do 2,4-D no atual cenário da agricultura?

Além do 2,4-D ter amplo espectro de controle, apresenta uma ótima relação custo- benefício quando comparado com outras opções do mercado.
É uma importante ferramenta para o manejo de plantas daninhas de difícil controle, tais como plantas resistentes aos herbicidas com modo de ação inibidor da ALS (leiteira, picão-preto e nabiça) e resistente ao glifosato (Buva).


Informações toxicológicas

Quem define a Classe Toxicológica do 2,4-D no Brasil? Quais são os parâmetros que definem a classe toxicológica de um produto?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é quem define a Classe Toxicológica. Existem cinco parâmetros para avaliar o efeito de uma exposição ao produto durante um curto período de tempo. São eles: DL50 Oral, DL50 Dérmica, Irritabilidade Ocular, Irritabilidade Dérmica e CL50 Inalatória.

Por que o 2,4-D (formulação amina) é classe I (faixa vermelha)?

Porque causa irritação ocular, muito embora possua valores de DL50 oral e dérmica que o colocariam na classe III. Como o parâmetro mais agravante é que define a classe toxicológica do produto, o 2,4-D (formulação amina) é classe I.

Quais outros estudos toxicológicos são realizados com o 2,4-D?

Além do 2,4-D, em todos os demais produtos fitossanitários são realizados estudos crônicos e subcrônicos. Esses estudos visam avaliar efeitos de curto e longo prazo. Os principais estudos são: carcinogenicidade (potencial para causar câncer), teratogenicidade (potencial para causar má-formação), mutagenicidade (potencial para causar mutações) e efeitos sobre a reprodução.

O 2,4-D é cancerígeno ou mutagênico?

A Organização Mundial da Saúde (OMS), Agência Internacional de Pesquisas sobre Câncer (IARC), Comissão Europeia e a Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) concluíram que 2,4-D não é carcinogênico ou mutagênico.

O 2,4-D é teratogênico ou influencia na reprodução de animais?

Estudos conduzidos em animais indicam que 2,4-D não causa defeitos em fetos ou qualquer alteração em seu desenvolvimento. Além disso, não afeta o processo reprodutivo destes animais.


Informações ambientais

O que é "meia-vida" de um produto?

É o tempo necessário para um produto se reduzir à metade de sua quantidade inicial, por meio de sua degradação. O valor da "meia-vida" pode ser obtido no solo ou na água.

Qual é a "meia-vida" do 2,4-D no solo?

Estudos realizados indicam que a "meia-vida" do 2,4-D no solo varia de 4 a 10 dias. Isso significa que se aplicarmos 1,0 litro/ha de 2,4-D sobre uma determinada área, a cada 4-10 dias, teremos metade desta quantidade, ou seja, 0,5 litro/ha. Passados mais 4-10 dias, teremos 0,25 litros/ha, e assim por diante até a completa degradação.

O que faz o 2,4-D ser degradado tão rapidamente no solo?

O 2,4-D é degradado principalmente por micro-organismos do solo. Quanto maior a atividade microbiana no solo, mais rapidamente o 2,4-D será degradado. A taxa de degradação aumentará com o aumento do pH, do teor de matéria orgânica e da temperatura.

Como ocorre a degradação do 2,4-D em áreas de plantio direto?

Se fizermos uma correlação somente com o teor de matéria orgânica e se partirmos do princípio de que a prática do plantio direto eleva o teor de matéria orgânica e a atividade microbiana do solo, o 2,4-D é ainda mais facilmente degradado nestas áreas.

Qual a chance do 2,4-D lixiviar no solo?

É muito pequena. A movimentação do 2,4-D em solos, ou seja, a lixiviação é normalmente menor que 30 cm. Mesmo em solos arenosos, com baixos teores de matéria orgânica, tem-se percebido que o 2,4-D atinge no máximo 60 cm. No entanto é improvável que o 2,4-D atinja lençóis freáticos em função da curta meia-vida no solo.

Como é a degradação do 2,4-D na água?

Pode variar de 1-28 dias dependendo do nível de oxigênio presente. Quanto mais oxigênio houver, mais rapidamente o 2,4-D será degradado.

Existe alguma proibição no registro de 2,4-D em algum país do mundo?

Não. O 2,4-D nunca foi proibido em qualquer país. No Brasil, tem uso registrado na esfera federal e cadastro em todos os estados da União.

Quais são as decisões regulatórias nos outros países?

As conclusões das Agências Regulamentadoras dos Estados Unidos (EPA), Comissão Europeia e do Canadá (PMRA) são semelhantes. Nestes países, os órgãos federais responsáveis pela regulamentação e aprovação de pesticidas concluíram em suas reavaliações que o 2,4-D atende às rígidas normas de saúde e segurança e, portanto, pode continuar a ser vendido e utilizado. O 2,4-D é do ponto de vista normativo um produto moderno que obedece às regulamentações atuais ao redor do mundo.

O 2,4-D é um produto volátil?

A formulação amina comercializada no Brasil não é volátil.

Então como um produto sai de seu alvo e atinge lavouras vizinhas que não se desejava que fossem atingidas?

Pelo que chamamos de deriva. Há dois tipos de deriva: do "vapor" e "aerotransportada". A deriva do "vapor" ocorre se um produto é volátil associado ao arraste pelo vento. A deriva "aerotransportada" ocorre quando o produto se move para fora do alvo durante a aplicação, por duas causas prováveis:

a) Condições climáticas desfavoráveis;

b) Equipamento em condições inadequadas de uso.

Há como se evitar ou minimizar a deriva?

Sim, se utilizarmos técnicas adequadas de aplicação e respeitarmos condições climáticas como: ventos inferiores a 10 km/h, umidade relativa superior a 55% e temperatura inferior a 30°C, e se utilizarmos pulverizadores com bicos e regulagens adequadas.

Qual o tamanho de gota ideal para minimizarmos e evitarmos deriva?

Bicos ou pontas que produzam gotas com tamanho médio superior a 250 μm.


Glossário
- DL 50 (Dose Letal): dose do produto que causa a morte de 50% dos animais utilizados no teste.
- CL 50 (Concentração Letal): concentração do produto que causa a morte de 50% dos animais utilizados no teste.

 

Conteúdo disponível em https://www.iniciativa24d.com.br/mitos-e-verdades/.

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